Google obtém autorização para venda livre de energia
A liberação pelo governo permitirá à empresa flexibilizar fontes de eletricidade para suas operações.
Umas das empresas de tecnologia mais populares do mundo recebeu na última quinta-feira autorização do Federal Energy Regulatory Commission (FERC) para comercializar energia no mercado atacadista americano.
A partir de 23 de fevereiro a subsidiária Google Energy LLC (Google Energia), além de começar a atuar em um novo setor, poderá flexibilizar as fontes de fornecimento energético para suas operações, incluindo mais opções para alimentar seus data centers. É a primeira vez que a licença é solicitada por uma companhia de tecnologia.
O pedido da Google para a compra e venda de energia havia sido feita em dezembro. Na ocasião, Niki Fenwick, porta-voz da empresa, afirmou à imprensa americana que a companhia não planeja vender seus serviços de administração de eletricidade a outras empresas ou se tornar uma especuladora no mercado, mas reconheceu que ainda não determinou o que poderá fazer com a equipe que formou para desenvolver projetos na área de captação de energias renováveis.
Ainda que não entre como competidora direta no mercado de eletricidade, a expectativa é de que a permissão para distribuir energia viabilize um projeto de internet via rede elétrica, o PLC (Power Line Communications), hoje um um mercado dominado pelas empresas de telefonia fixa.
Apesar de não ter experiência no setor, a entrada da empresa nesse campo parece ter agradado a agência reguladora dos Estados Unidos.
No documento em que autoriza o acesso da companhia a Ferc demonstra preocupação com a concentração desse mercado, uma vez que o Google, que não tem usinas ou distribuidoras, satisfaz os critérios para ser vendedor de energia sem comprometer a livre concorrência. A comissão solicitará, contudo, que a companhia informe em até 30 dias seus planos com mais clareza.
Atualmente 1500 empresas estão liberadas para comercializar eletricidade nos Estados Unidos sendo, na maior parte, concessionárias de serviços públicos ou geradoras.
No Brasil esse número não passa de 600, de acordo com Ivo Pugnaloni, diretor da Enercons Consultoria. Segundo o especialista, os consumidores brasileiros, na sua maior parte, ainda preferem o ambiente regulado que oferece maiores garantias.
“Hoje, cerca de 27% em megawatts por hora da energia produzida no país circula no mercado livre, sendo 10% de auto-produtores, na maioria grandes empresas com condições de produzir sua própria energia”, diz.
Pugnaloni avalia que a baixa incidência de empresas no mercado livre se deve à falta de divulgação dos benefícios destinados a essas empresas como isenção de ICMS e desconto de 50% nos gastos com o transporte de energia.
“Um número maior de empresas operando no mercado livre ajudaria a reduzir o custo Brasil”, avalia o consultor especializado em energia.
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